quarta-feira, 10 de março de 2010

AS CHANCES ESTÃO CRIADAS? (2)

AS CHANCES ESTÃO CRIADAS? (2)


 

No mês passado, postamos um artigo com o título "As chances estão criadas?", que teve como motivação artigo do Secretário Estadual de Educação do Espírito Santo, Professor Haroldo Corrêa Rocha, publicado no jornal "A Gazeta" de 24 / 01 / 2010, em que ele afirmava que, no Estado, no que diz respeito à educação, as chances estavam criadas, restando " às crianças, jovens e adultos aproveitar as oportunidades e se dedicar com afinco aos estudos".

Com o início do ano letivo, em várias entrevistas publicadas nos jornais locais, o referido Secretário descreve a infraestrutra das escolas estaduais, todas munidas de laboratórios de Informática, de Ciências e de bibliotecas devidamente equipadas.

Surpreende-nos, portanto, a notícia veiculada no jornal "A Gazeta" do dia 10 de março, com o título: "Escola de Vila Velha sem cadeiras para alunos". E noticia:

O ano letivo nem bem começou nas escolas públicas, mas os problemas, muitos deles antigos, voltaram a atormentar a vida dos estudantes. Na Escola Agenor de Souza Lé, no Bairro Divino Espírito Santo, em Vila Velha, os alunos estão sem carteiras para assistir às aulas

A Secretaria de Educação alega que o problema é um caso isolado. Será?

Quando da publicação do primeiro artigo com esse mesmo título, narramos o fato de que 107 escolas estaduais de ensino médio, ou 38,07% do total, não eram aprovadas pelo Conselho Estadual de Educação, o que levou a Secretaria de Educação a solicitar a aprovação de todas, sem o atendimento às normas legais, visando à expedição dos certificados de conclusão da etapa pelos alunos. Negamo-nos a atender à solicitação, porque temíamos que, uma vez aprovadas, essas escolas continuariam a funcionar sem a mínima infraestrutura. Assim, a primeira providência nossa ao ler a citada notícia foi verificar se a Escola Agenor de Souza Lé estava entre aquelas 107. Não está. Mas, ela também, segundo dados divulgados no site do Conselho Estadual de Educação (www.cee.es.gov.br) não está entre as escolas legais. Isto é, também não está aprovada.

Quantas mais estarão funcionando sem as mínimas condições necessárias? Bibliotecas e laboratórios devidamente equipados, salas de aulas com as dimensões que permitam ao professor a diversificação das estratégias utilizadas em suas aulas, banheiros adequados, refeitório, espaço apropriado para as aulas de educação física e recreação, espaços adequados para os profissionais que atuam na escola ... Só estamos, neste artigo, nos referindo à parte física das escolas. Mas elas necessitam de muito mais...

Aos interessados em verificar quais são as escolas estaduais de ensino médio que funcionam sem aprovação – e quem sabe? – visitá-las para avaliar as suas condições de funcionamento, sugiro a consulta às Resoluções CEE-ES nº. 2042/2009, publicada no Diário Oficial de 19/11/09, e CEE-ES nº. 2119/209, publicada no Diário Oficial de 29/12/2009, que convalidaram, para efeito de expedição de certificados, os estudos realizados pelos alunos concluintes do Ensino Médio das referidas 107 escolas, ali citadas, concedendo a elas prazo até 1º de março de 2010 para a protocolização de processo de aprovação de funcionamento, de acordo com as normas legais.


 

BIBLIOGRAFIA:

ESCOLA de Vila Velha sem cadeiras para alunos. A Gazeta, Vitória, p.7, 10 mar. 2010.

JESUS, Marlucia Pontes Gomes. As chances estão criadas? Disponível em: <http://www.damarlueducar.blogspot.com>. Acesso em: 10 mar. 2010.

ROCHA, Haroldo Corrêa. As chances estão criadas. A Gazeta, Vitória, p.6, 24 jan.2010.

7 comentários:

DAMARLU EDUCAÇÃO disse...

No jornal "A Gazeta" de 12/03/2010,foi veiculada a notícia "Estudantes protestam e são agredidos por motoristas". No corpo da matéria, constava que "os alunos da Escoa Estadual Rômulo Castello, em Cariacica, cansados de esperar pelo término das obras da unidade, que acontecem desde 2007, decidiram fechar um trecho da BR 101 Norte,em protesto". Na reportagem, os estudantes afirmam que não aguentam mais estudar em salas improvisadas, sem energia e ventilação.Segundo eles, as aulas funcionam em oito salas de aula feitas de PVC, colocadas na quadra esportiva da escola. A situação ficou ainda pior,agora, na época das chuvas, poque as aulas eram dadas em meio às goteiras. Além disso, a água da chuva atingiu a fiaçaõ elétrica, na noite de quarta-feira, dia 10, e, com isso, os alunos ficaram sem energia e, consequentemente, sem ventiladores. A aluno, Pâmela Gonçalves, porta voz dos alunos disse que: "É um caos estudar nessas salas. Elas são pequenas para os cerca de 40 alunos que estudam nelas. Ficamos todos amontoados e o ventilador não serve para nada. Teve gente que já passou mal por conta do calor".
Bem, pelo menos a Escola Estadual Rômulo Castello já está sendo reformada e a promessa da Secretaria de Educação é que as reformas estejam concluídas em junho deste ano.
Mas, importante frisar que a Escola Estadual Rômulo Castello não está entre aquelas 107 de que fala esta postagem. E ela, também, não está na lista das "escolas legais" divulgadas no site do Conselho Estadual de Educação. Isto é: a Escola Estadual Rômulo Castello não teve,ainda, o seu funcionamento aprovado.
Então, são 109 as escolas estaduais em funcionamento sem aprovação do Conselho Estadual de Educação? E daí? Realmente, as chances estaõ criadas?

Deronis F. de Souza disse...

Excelente texto Marlucia. Continue bombardeando esses caras. O negócio deles é "Educação de aparência" para fazer politica. Estávamos precisando de um Blog igual ao seu para podermos olhar o outro lado. Socrátes já dizia:
"Mandai educar o vosso filho por um escravo, e, em breve tempo, em vez de um escravo, tereis dois".

DAMARLU EDUCAÇÃO disse...

Caro Deronis:
Sabe de que precisamos? De pessoas que analisem o que é dito pelos entrevistados e o que realmente acontece no seu bairro, cidade ou município. Precisamos, também, de uma imprensa que verifique a veracidade do que é dito. Sabemos que muita coisa tem sido feita na área de educação, mas, não sei porque, o que se pretende demonstrar é que tudo já foi feito, como tem ficado explícito nas entrevistas veiculadas na imprensa.

DAMARLU EDUCAÇÃO disse...

Mais uma notícia publicada no jornal "A Gazeta" sobre protestos de alunos da rede estadual de ensino: essa foi publicada no dia 13/03/2010, página 8,com o seguinte título: "Alunos reclamam de calor em salas improvisadas", trazendo o seguinte:"Cerca de 80 estudantes da Escola Estadual Aflordízio Carvalho da Silva, em Maruípe,Vitória, fizeram uma manifestação na tarde de ontem. Eles reclamam que as salas de aula são improvisadas e que os ventiladores não funcionam, aumentando a sensação de calor no local".
Vejam bem:a Escola Estadual Aflordízio Carvalho da Silva não está entre aquelas 107 escolas de que falamos na postagem "As chances estão criadas?" Ela também não está na lista de Escolas Legais divulgadas pelo Conselho Estadual de Educação, o que significa que não é uma escola por ele aprovada. E, se não é aprovada, é quase certo que seja uma outra escola da rede pública estadual que não apresenta as condições necessárias para o funcionamento. Bem, pelo menos a Secretaria de Educação informou que "a nova escola está sendo reconstruída e deve ser entregue até maio de 2011".
Mas, agora, tudo indica que as chances realmente não estão criadas. Afinal, são 110 escolas funcionando sem aprovação e, provavelmente, sem as mínimas condições exigidas pela legislação em vigor.

DAMARLU EDUCAÇÃO disse...

Surpreendeu-me que o jornal "A Gazeta" do dia 27 de março deste ano trouxesse reportagem sobre protesto dos alunos da Escola Estadual Aflordízio Carvalho da Silva, localizada no bairro Maruípe,em Vitória. Antes do título da reportagem ( "Alunos reclamam de calor e goteiras em salas improvisadas") , foi colocado: "Segunda vez. No último dia 12, eles protestaram em passeata". Aliás, o assunto é o tema do comentário anterior a este. Na ocasião, a reportagem informou que, segundo a Sedu todas as reinvindicações dos alunos seriam atendidas. Ora, 15 dias após o primeiro protesto, parece que a situação ainda não foi resolvida, segundo o que foi dito pelas alunas Graziele da Conceição e Darlene Pereira, a saber:

"Está horrível, o calor está insuportável. A gente nem
consegue prestar atenção nas aulas, porque está quente
demais. A secretaria, a biblioteca, a sala dos
engenheiros da obra e dos professores têm ar
condicionado, menos as nossas".

"Agora está dando goteira nos corredores por causa da
chuva. Um dia é o calor, outro dia é a chuva. Assim,
não dá para estudar".

Desta vez, a reportagem informa que a Sedu vai trabalhar todo este final de semana para que as obras estejam completamente concluídas na próxima segunda-feira, pela manhã.
No entanto, o jornal "Notícia Agora" que veicula a mesma notícia com o título "Que sufoco na sala de aula!" e subtítulo "Calor e goteiras tiram a concentração dos alunos, que estudam em espaços improvisados", informa que, segundo a Sedu, o problema será resolvido até quarta-feira, dia 31, pela manhã.
Será?
De acordo com os dois veículos de comunicação, as salas modulares de que os alunos reclamam surgiram como alternativa para suprir a demanda dos alunos que , obrigatoriamente, a partir deste ano , passam a cursar o ensino fundamental de nove anos. Ora, a lei nº. 11.274 que que dispõe sobre a duraçao de nove anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6(seis) anos de idade vige a partir de 7 de fevereiro de 2006 e define prazo até o ano de 2010 para a sua implementação. Foram 4 anos de prazo! O que foi feito neste período?
E mais: ora, o Secretário Estadual de Educação , Haroldo Corrêa Rocha, no dia 24 de janeiro deste ano,no jornal "A Gazeta", declarou que, na rede estadual de ensino, as chances estavam criadas, restando "às crianças,jovens e adultos aproveitar
as oportunidades e se dedicar com afinco aos estudos". Realidade?
Ah! É uma pena que apenas os alunos das escolas estaduais Aflordízio Carvalho da Silva e Rômulo Castelo( Cariacica) realizem protestos sobre as condições de funcionamento das suas escolas!

Leonardo Rocha disse...

Acredito que um bom ponto de partida para uma solução dos problemas da educação é a gestão democrática para as diretorias escolares. Isso evitaria a subserviência notada dos Diretores escolares a “Educação de aparência” lembrada pelo colega Deronis. Entendo que uma virtude da democracia é a oportunidade que o outro tem de fazer melhor, e como fazer o melhor se nosso processo educativo em um todo não passa pela democracia?

DAMARLU EDUCAÇÃO disse...

Caro Leonardo:
Estamos preparando um texto sobre gestão democrática na educação. Ele não trata especificamente sobre diretores escolares, mas enfoca a sua importância para a melhoria da qualidade da educação.

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